Às vezes, o problema é quanto tempo ele permanece.
Sentir tristeza, medo, ansiedade, frustração, raiva ou insegurança faz parte da experiência humana.
Nem toda emoção desconfortável significa que existe algo errado conosco. Muitas vezes, o sofrimento aparece como uma resposta compreensível diante de uma perda, uma mudança, um conflito, uma frustração ou de períodos em que somos exigidos além do que conseguimos sustentar.
O que merece atenção é quando esse sofrimento deixa de ser passageiro e começa a ocupar espaço demais.
Quando interfere no sono, nos relacionamentos, no trabalho, nas escolhas ou na capacidade de sentir prazer. Quando situações diferentes parecem levar sempre ao mesmo lugar. Quando a pessoa percebe que está há muito tempo tentando dar conta sozinha e, apesar de todos os esforços, continua presa aos mesmos sentimentos ou comportamentos.
Nesses momentos, talvez a pergunta não seja apenas “por que estou me sentindo assim?”, mas também:
“Há quanto tempo estou vivendo dessa maneira?”
A psicoterapia não tem como objetivo eliminar todas as emoções difíceis. Sofrer também faz parte da vida. O trabalho terapêutico pode ajudar a compreender o que esse sofrimento comunica, quais experiências estão relacionadas a ele e quais recursos podem ser construídos para lidar com aquilo que não pode simplesmente ser evitado.
Buscar ajuda não exige chegar ao limite.
Às vezes, perceber que algo permanece por tempo demais já é motivo suficiente para começar a olhar para si com mais atenção.

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