Mas toda dor precisa ser compreendida e acolhida.
Vivemos um momento em que se fala muito mais sobre saúde mental e isso trouxe avanços importantes. Ao mesmo tempo, existe o risco de transformar experiências humanas em diagnósticos de maneira precipitada.
Estar triste não significa necessariamente estar em depressão. Sentir ansiedade diante de uma situação difícil não significa, por si só, ter um transtorno de ansiedade. Ter dias de desânimo, insegurança, irritação ou medo também não significa automaticamente que exista uma doença.
As emoções fazem parte da vida e têm uma função.
Isso, porém, não significa que devemos minimizar aquilo que sentimos.
Entre considerar qualquer sofrimento uma doença e acreditar que é preciso simplesmente “aguentar”, existe um caminho muito mais cuidadoso: compreender o contexto, a intensidade, a frequência e o impacto daquela experiência na vida da pessoa.
É justamente por isso que um diagnóstico em saúde mental não deveria ser construído a partir de uma característica isolada ou de uma lista encontrada na internet. É necessário considerar a história daquela pessoa, o momento que ela está vivendo e a forma como determinados sintomas aparecem e interferem em sua vida.
E mesmo quando não existe um transtorno, pode existir sofrimento que merece atenção.
A psicoterapia também é um espaço para isso: compreender emoções, reconhecer padrões, elaborar experiências e ampliar possibilidades diante daquilo que tem sido difícil viver sozinho.
Nem toda dor emocional é uma doença. Mas nenhuma dor precisa ser invalidada apenas porque não recebeu um nome.

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